James Petras, sobre a crise coreana: "Washington começou a acelerar suas medidas de intimidação"

sexta, 05 abril 2013
Excerto de entrevista de Efraim Chury Iribarne - CX36, Rádio Centenário  (via Rebelión, tradução vermelhos.net)

Efraim Chury Iribarne: Hoje temos um tema quase exclusivo para ouvir a sua análise, e refiro-me à situação na Coreia, no momento atual e possíveis consequências.

James Petras - O problema coreano tem a ver com uma longa história, de que eu vou fazer um pequeno resumo. Nos primeiros anos da década passada, Washington e outros países mantiveram conversações com a Coreia do Norte sobre a forma de alcançar uma solução pacífica, como terminar as sanções, como aceitar a Coreia entre os países da Ásia. E essas negociações - com George Bush no seu primeiro mandato -  avançaram, ao ponto de que, em 2006, quase assinaram um acordo afirmando que a Coreia do Norte se comprometia a limitar as suas actividades nucleares e por sua vez os Estados Unidos se comprometiam a cessar as sanções que impõem um embargo comercial à Coreia do Norte e permitiriam comércio em todos os sentidos.

Chipre: "Os comunistas na ratoeira"

quinta, 21 março 2013
Máximo Relti  (via La República , tradução vermelhos.net)

A maioria das organizações que compõem o grupo chamado de "Partido da Esquerda Europeia" (PEE) persistem na sua reclamação de se autodenominarem "comunistas". No entanto, não deixam de assumir o sistema capitalista no seu conjunto, as suas regras e instituições. Os "comunistas" que integram este grupo esgrimem o argumento de que sob o regime capitalista se podem desenvolver políticas favoráveis aos trabalhadores. O caso do Chipre pode servir como prova da inconsistência dessa abordagem ideológica.

Chipre é um país de cerca de 1.120.489 habitantes. A ilha, no entanto, está dividida em duas. Uma parte é dominada pelos gregos e outra por habitantes de origem turca. O governo do Chipre está organizado de acordo com a Constituição de 1960, que repartiu o poder entre as comunidades cipriotas gregas e turcas. Em 2004, o sul da ilha aderiu à União Europeia.

Papa Francisco I ligado à ditadura argentina

quinta, 14 março 2013
Via Gara (tradução vermelhos.net)

O cardeal argentino e arcebispo de Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio é o primeiro Papa latino-americano e jesuíta na Igreja Católica. Pela primeira vez também, o 266º Sumo Pontífice, que foi eleito pelo conclave de cardeais no quinto escrutínio, quando parecia que o segundo dia iria acabar em "fumo negro", adotou o nome de Francisco para exercer o seu mandato.

Jorge Bergoglio, nascido a 17 de dezembro de 1936 em Buenos Aires, numa família de origem italiana, sucede a Joseph Ratzinger, Bento XVI, como chefe da Igreja Católica. Não era um dos nomes que mais se especulava para suceder a Ratzinger, embora no conclave papal de 2005 tenha arrebatado algumas dezenas de votos.

O bastão de comando foi passado por um papa ligado à juventude hitleriana para um relacionado com a ditadura da Argentina. [nota do editor: no cartoon de Latuff, Bergoglio e o ditador Videla]

A "sucessão" de Chavez e o futuro da revolução bolivariana

quinta, 07 março 2013

A sucessão de Hugo Chavez tem sido tema dominante na comunicação social burguesa, tanto na Venezuela como no mundo, o que não impede que esta seja uma questão premente para o futuro próximo da revolução bolivariana. Aos nossos leitores apontamos alguns textos, que julgamos úteis para percebermos um pouco melhor o que se vai passando por estes dias na pátria de Bolívar.

Tal como havíamos noticiado no final do ano passado, o Partido Comunista da Venezuela apela, em comunicado sobre o falecimento de Chavez, à construção de uma direção coletiva: "Redoblar esfuerzos en la construcción de la más amplia alianza nacional patriótica antiimperialista, que avance en la concreción de una dirección colectiva e integrada de las fuerzas del proceso revolucionario venezolano."

Bersani, Grillo, Berlusconi e os jogos de poder

quinta, 28 fevereiro 2013
Via Gara (tradução vermelhos.net)

Uma vez assimilados e avaliados os resultados das eleições, a Itália acordou ontem com a esperança de que uma parceria entre o centro de Pier Luigi Bersani e o Movimento 5 Estrelas (M5S) de Beppe Grillo - colaboração ao estilo da que ocorre na Sicília - poderia resolver o beco sem saída em que parece atolada a sua política, mas a rejeição do Grillo em apoiar a investidura do futuro governo mantém a incerteza.

Bersani rejeitou qualquer aliança com o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, e abriu a porta a possíveis acordos com Grillo, para superar a ingovernabilidade existente, na ausência de uma clara maioria no Senado, cujo voto de confiança é necessário à investidura do Governo.

No mesmo dia, Grillo assegurou que o seu movimento não vai assinar alianças com ninguém, mas não descartou apoiar leis e reformas propostas no Parlamento, após análise, uma por uma, no que é conhecido em Itália como o “modelo siciliano”. Na Sicília governa o centro-esquerda em estreita colaboração com o M5S.

Eleições na Itália: Entrevista com Paolo Ferrero, secretário-geral da Rifondazione Comunista

sexta, 22 fevereiro 2013
Orsola Casagrande, Gara (tradução vermelhos.net)
Paolo Ferrero é secretário-geral da Rifondazione Comunista que, ao lado de Cambiare se può, Italia dei Valori, Movimiento Arancione, Verdi, Nuovo Partido d'Azione e Partito  dei Comunisti Italiani formam a coligação Rivoluzione Civile.

Após um longo e nada fácil debate, a Rifondazione decidiu entrar na coligação Rivoluzione Civile. Porquê?

Porque conseguimos construir no prazo de dum mês uma lista unitária antiliberal. Com tempo, as coisas poderiam ter sido feitas melhor. Mas estou satisfeito. O programa da Rivoluzione Civile é muito próximo do nosso.

Poderia concretizar essa aproximação?

A Rivoluzione Civile é contra o Pacto Fiscal Europeu. Estamos de acordo quanto a um imposto sobre o património e em eliminar gastos desnecessários, os militares, as grandes obras, como o TGV... Finalmente, temos de anular a lei de aposentação do Governo técnico de Monti.

Equador: A vitória de Correa, um triunfo regional

terça, 19 fevereiro 2013
Néstor Núñez * (via Rebelión , tradução vermelhos.net)

A obtenção, pelo presidente do Equador, Rafael Correa, da maioria dos votos nas eleições deste domingo, confirma a validade dos processos de recorte progressista surgidos nas últimas décadas na América Latina e Caribe.

Trata-se, consequentemente, de uma vitória de toda a nossa região, empenhada no compromisso de alcançar uma verdadeira integração, na união a partir do reconhecimento das grandes aspirações comuns e respeito em simultâneo da autodeterminação alheia, e em colocar a nossa área, com pleno direito, entre os principais interlocutores globais neste complicado tempo universal. E a Revolução Cidadã que decorre no Equador é parte indissolúvel desse esforço, ao exibir uma trajectória de eficácia que sem dúvidas lhe dá um apoio nacional importante.

A história secreta da renúncia de Bento XVI

sexta, 15 fevereiro 2013
Eduardo Febro (via Carta Maior)

Os especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que o Papa Bento XVI decidiu renunciar em março passado, depois de regressar de sua viagem ao México e a Cuba. Naquele momento, o papa, que encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo II, descobriu em um informe elaborado por um grupo de cardeais os abismos nada espirituais nos quais a igreja havia caído: corrupção, finanças obscuras, guerras fratricidas pelo poder, roubo massivo de documentos secretos, luta entre facções, lavagem de dinheiro. O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites nem moral alguma onde a cúria faminta de poder fomentava delações, traições, artimanhas e operações de inteligência para manter suas prerrogativas e privilégios a frente das instituições religiosas.

Cuba abre-se aos pequenos negócios

quarta, 23 janeiro 2013
Saul Landau * (via Progresso Semanal, tradução vermelhos.net)

O governo cubano anunciou recentemente novas regras que facilitam a criação de novas empresas, justamente quando muitos turistas, principalmente canadianos e europeus (mais de 2,1 milhões em 2012), e centenas de milhares de cubanos-americanos, com dinheiro e artigos para a sua família, chegavam à ilha.

Estes fatores têm ajudado a manter a economia cubana, e transformaram a atmosfera da rua no centro de Havana, por exemplo, onde os vizinhos vendem a outros vizinhos e falam ou sonham em ter o seu próprio estabelecimento. Agora, eles podem fazê-lo legalmente, ao contrário do passado, quando as leis tornavam ilegal o “cuentapropismo” (empresas privadas).

No final da década de 80, Cuba abriu-se ao turismo estrangeiro massivo, uma indústria que cresceu rapidamente, e o Estado logo reconheceu a escassez de bons restaurantes, disponíveis para visitantes estrangeiros, ou para os poucos cubanos com moeda conversível que podiam decidir comer fora. Então, puf, o governo permitiu que surgissem os "paladares", pequenos restaurantes privados.

Front de Gauche manifesta apoio crítico à intervenção francesa no Mali

quinta, 17 janeiro 2013
Intervenção do deputado François Asensi, ontem, na Assembleia Nacional francesa. (via l'Humanité, tradução vermelhos.net)

A situação no Mali por mais urgente que seja, não é nova.
Desde há um ano, o avanço dos secessionistas da Azawad e a instabilidade relacionada com o golpe de Estado ameaçam a integridade do país.
Dedico um pensamento forte ao povo do Mali, esse povo amigo, refém do terror imposto há meses por fundamentalistas islâmicos. Contam-se mais de 230.000 pessoas deslocadas.
Os cidadãos do Mali, numerosos em França, estão inquietos e reclamam uma intervenção internacional para restaurar a paz a democracia. Estamos a seu lado.
Também dispenso um pensamento forte aos nossos soldados, envolvidos num terreno perigoso. Penso na dor das famílias dos nossos reféns.

O que devia fazer a França face à ofensiva das tropas jihadistas lançada na passada quinta-feira?
A posição dos deputados da Frente de Esquerda, comunistas e republicanos, é clara: abandonar o povo maliano à barbárie dos fanáticos teria sido um erro político e uma falha moral.
A não-intervenção teria sido a pior cobardia.
Uma ação militar internacional era necessária para impedir a instalação de um estado terrorista.

Exército Zapatista anuncia os seus passos seguintes

terça, 15 janeiro 2013
COMUNICADO DO COMITÊ CLANDESTINO REVOLUCIONÁRIO INDÍGENA – COMANDO GERAL DO EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL - MÉXICO (via Enlace Zapatista)

Ao povo do México:
Aos povos e governos do mundo:
Irmãos e irmãs:
Companheiros e companheiras:

No último 21 de dezembro de 2012, durante a madrugada, dezenas de milhares de indígenas Zapatistas nos mobilizamos e tomamos, pacificamente e em silêncio, 5 cabeceiras municipais no sudeste do estado mexicano de Chiapas.

Nas cidades de Palenque, Altamirano, Las Margaritas, Ocosingo e San Cristóbal de Las Casas, os olhamos e nos olhamos a nós mesmos em silêncio.
Não é mensagem de resignação.
Não o é de guerra, de morte e de destruição.
Nossa mensagem é de luta e resistência.

Assassínios - Três activistas curdos abatidos em pleno Paris

segunda, 14 janeiro 2013
Pierre Barbancey (via L'Humanité, tradução vermelhos.net)

Estas mortes ocorreram no momento em que a cooperação entre a França e a Turquia  vai de vento em popa na "luta contra o terrorismo", no quadro de um acordo em breve transformado em lei.

Cartuchos e três cadáveres. Três mulheres. Três militantes curdas abatidas com uma bala na cabeça. A nossa amiga Dogan Fidan (Rojbin), 32 anos, permanente do Centro de Informação do Curdistão e representante em França do Congresso Nacional do Curdistão (KNK), de Sakine Cansiz, membro fundador do PKK, e Leyla Soylemez, uma jovem militante. Ter-se-á tratado, de facto, de uma execução no coração de Paris. De resto, a presença do Ministro do Interior, Manuel Valls, algumas horas após a descoberta do drama e quando centenas de curdos já se tinham juntado diante do edifício, sugere que as autoridades francesas suspeitam de um crime político.

O chavismo

segunda, 07 janeiro 2013
Elías Jaua - ex vice-presidente da Venezuela (via Telesur, tradução vermelhos.net)

A corrente militar-popular bolivariana, que começou a constituir-se como uma força política sob a liderança do Comandante Hugo Chávez, teve a sua origem mais imediata nas revoltas populares e militares de 1989 e 1992, respectivamente. No entanto, a arquitetura do Movimento Bolivariano 200 (MBR 200) na rua, começou a executar-se a partir do ano de 1994, quando Hugo Chávez é libertado da prisão e começa uma peregrinação política e social por todo o país.

Entre 1994 e 1998, o Comandante Chávez consegue somar estudantes, trabalhadores, pequenos e médios empresários, camponeses, agricultores, pescadores, mineiros, indígenas, operários, mulheres, jovens, militares, líderes locais e quase todos os líderes da esquerda venezuelana, sob a bandeira do resgate do pensamento bolivariano e da convocação de uma Assembleia Constituinte para refundar o Estado, recuperar a soberania popular e nacional, e para transformar a estrutura de exclusão social das grandes maiorias. Inclusive, de modo oportunista, setores importantes da burguesia dão apoio à insurgente força política bolivariana.

“Varrendo países do mapa”: Quem faz falhar os “Estados Falhados”?

quinta, 03 janeiro 2013
Michel Chossudovsky (via Global Research, tradução vermelhos.net)

"Propagou-se por todo o mundo um boato perigoso que poderia ter implicações catastróficas. Segundo a lenda, o presidente iraniano ameaçou destruir Israel, ou, para repetir a citação incorrecta, “deve apagar-se Israel do mapa”. Ao contrário da crença popular, esta declaração nunca foi feita..." (Arash Norouzi, Varrido do Mapa: O Rumor do século, janeiro de 2007)
"Os EUA atacaram direta ou indiretamente, cerca de 44 países ao redor do mundo desde agosto de 1945, alguns deles muitas vezes. O objectivo confesso destas intervenções militares foi fazer uma "mudança de regime". Os disfarces de "direitos humanos" e "democracia" são invariavelmente evocados para justificar o que são atos unilaterais e ilegais ". (Professor Eric Waddell, A Cruzada Global Militar dos EUA  (1945-), Global Research, fevereiro de 2007)
"Este é um memorando [do Pentágono] que descreve como vamos eliminar sete países em cinco anos, começando com o Iraque, e depois a Síria, Líbano, Líbia, Somália, Sudão e, finalmente, o Irão". Eu disse: "É confidencial?" Ele disse: "Sim, senhor." Eu disse, "Bem, não me mostre" (General Wesley Clark, Democracy Now, 2 de março de 2007)

Washington está no "negócio de destruição" de uma lista muito longa de países.

Quem está a "Varrer países do mapa", o Irão ou os EUA?

PC da Venezuela apela à construção de direção coletiva do movimento revolucionário

terça, 11 dezembro 2012
Oscar Figuera, secretário-geral do Partido Comunista da Venezuela, pronunciou-se quanto “à nova batalha pela vida que enfrenta o Presidente Hugo Chavez”, manifestando esperança na sua recuperação, mas também reiterando a necessidade da “construção de uma direcção coletiva unificada do movimento revolucionário, das forças patrióticas e conjunto de forças anti-imperialistas”.

Declaração de Oscar Figuera, via Tribuna Popular, tradução vermelhos.net)

Bashar al-Assad, a Síria e a verdade sobre as armas químicas

segunda, 10 dezembro 2012
Robert Fisk (via The Independent, tradução vermelhos.net)

O pai de Bashar, Hafez al-Assad foi brutal, mas nunca usou armas químicas. Você sabe qual o primeiro exército que usou gases tóxicos no Médio Oriente?

Quanto maior a mentira, mais as pessoas vão acreditar. Todos nós sabemos quem disse esta frase e no entanto ainda funciona. Bashar al-Assad tem armas químicas. Poderia usá-las contra o seu próprio povo. Se fizer isso, o Ocidente vai reagir. Ouvimos isto o ano passado, e o regime de Assad disse repetidas vezes que, se as tivesse, nunca iria usá-las no seu próprio país.

Mas agora Washington está a repetir a mesma música de armas químicas. Bashar tem armas químicas. Poderia usá-las contra o seu próprio povo. E se o fizer...

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